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Rio de Janeiro ganha Serviço de Alergia e Imunologia numa Santa Casa em recuperação

Liderado pelo especialista Luiz Werber-Bandeira, está funcionando um avançado complexo de atendimento, pesquisa de ponta e formação de profissionais

No detalhe, o imunologista Luiz Werber-Bandeira

 

O Rio de Janeiro ganhou um presente no final de novembro. Foi inaugurado na Santa Casa de Misericórdia um Serviço de Alergia e Imunologia que já nasce ambicioso e bem estruturado, voltado para o multi-atendimento de doenças como asma, psoríase e até câncer. Melhor dizendo: foi reativado o serviço na especialidade que já existira desde a década de 1960, pela iniciativa de um de seus antigos chefes, Luiz Werber-Bandeira.

– Chefiei o serviço pela indicação do Professor Oliveira Lima, pai dos alergistas e imunologistas do Brasil – conta ele. – E hoje estamos de volta.

“De volta” talvez não seja o termo correto – Werber-Bandeira tratou de criar toda uma nova clínica, ocupando um pavilhão desativado em função da decadência da instituição, atingida pelos graves problemas administrativo-financeiros da gestão Zarur. Desde o dia 30 de novembro, nos 410 m2 do pavilhão São Francisco de Paulo começaram a funcionar 12 consultórios, sala de procedimentos, gabinetes e um anfiteatro: um investimento de mais de R$ 600 mil. A ideia é manter o perfil acadêmico do serviço –formando especialistas – e atender ao público, engajando-se ainda nas pesquisas do setor, inclusive internacionais. Tudo financiado pela iniciativa privada.

– Temos uma empresa sem fins comerciais bancando tudo isso, a ASAS, Associação de Saúde e Sustentabilidade – explica o médico. – Fizemos a recuperação do espaço, que inclui um jardim central aberto por D. Pedro II em 1852. O importante é a Santa Casa estar de volta ao seu perfil de probidade com o nome do novo provedor, Francisco Horta.

Alergias e câncer

Werber-Bandeira garante que as rotinas mais simples de alergia estarão sendo atendidas em paralelo aos casos de média e alta complexidade, como as asmas graves, doença inflamatórias como artrite reumatoide, as alergias alimentares, assim como as mais modernas terapias internacionais no tratamento de vários tipos de câncer, entre elas a técnica de edição genética CRISPR-CAS9.

– A imunoterapia oncológica, que difere radicalmente da quimioterapia tradicional, lida com anticorpos direcionados a elementos específicos das células cancerígenas – conta ele. – Simplificando muito, são técnicas que eliminam marcadores que facilitam a proliferação da célula cancerígena. Outra técnia é a chamada CART-Cell, que modifica a célula do sistema imune do paciente para transformá-la num ‘caçador de células malignas’.

O serviço voa alto e tem acordo com duas universidades canadenses que vêm desenvolvendo pesquisas nessa direção, em Quebec – a Universidade de Laval –  e a de Montreal. Especialistas brasileiros e canadenses estarão trabalhando em conjunto nos dois países. Concorrem também a bolsas de pesquisa, como uma dotação de US$ 10 milhões para pesquisas em cobaias, modificando genes para tratar a doença de Alzheimer.

Marcello Bossois, ex aluno de Werber-Bandeira na Santa Casa, lidera o projeto social Brasil Sem Alergia, que vem fazendo mais de 300 mil atendimentos gratuitos para o tratamento de alergias e doenças imunológicas. Ele também participa do convênio coma Universidade de Laval.

– Ter estudado em uma instituição que tem como seu objetivo principal trabalhos sociais foi decisivo para minhas escolhas profissionais – conta o médico.

Mas, afinal, por que alergia e câncer lado a lado?

A imunologia é um ramo das ciências médica e biológica que perpassa muitas especialidades. Estudado desde o século XIX, ganhou impulso nas décadas de 1950 e 1960 com a dupla de especialistas britânicos Philip Gell e Robin Coombs.

– O câncer tem um mecanismo imunogenético, a alergia está no centro da imunologia – desfia Werber-Bandeira. – É um sistema que nos defende das doenças e por alteração genética pode produzir doenças. Hoje temos imuno-pneumologistas, imuno-oncologistas, imuno-obstetras, esses trabalhando, pro exemplo, nos abortamentos de repetição por causa imunitária.

As alergias, hoje, estão aumentando pelo mundo afora – ou será que essa percepção é errônea? O médico considera as duas possibilidades e lista fatores:

– Há maior diagnóstico e estatísticas mais precisas, por um lado, dando a impressão de mais casos. A informação também traz essa ideia: alguém que tivesse um resfriado constante hoje pode saber que sofre de rinite alérgica. Por outro lado, mais poluentes irritam mais o organismo, uso precoce de antibióticos pode aumentar a chance de alergias. E, por incrível que pareça, uma higienização muito forte tira defesas.

O serviço já está aberto e funcionando com especialistas em doenças alérgicas e imunológicas. Com alguns procedimentos gratuitos, dependendo de cada caso, ou com preços populares, a unidade funciona de segunda a sexta, das 9h às 18h.

– Estamos em negociação com os planos de saúde. Para os profissionais em busca de especialização, temos um concurso em março – conclui o médico.

 

Apoio da Universidade Laval e do Canadá Gene Therapy Group, parceria  em pesquisas no Laboratório de Biologia Molecular aplicada a Micobactérias da Fundação Oswaldo Cruz 

Atendimentos em alergias e doenças imunológicas de alta complexidade; pesquisas para câncer com imunoterapia

Endereço: Rua Santa Luzia 50, Centro do Rio – telefone: (21) 970017231

 

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