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‘Se a criança come mal, a questão é da família toda’, diz a nutricionista Gabriela Kapim

À frente do programa ‘Socorro! Meu filho come mal’, a carioca fala dos dilemas nutricionais das crianças, pais e mães

Gabriela Kapim2 capa

– Hoje, a gente abre muito mais pacote do que descasca. E isso não é nada bom.

É um jeito moleque, o de Gabriela Kapim. Mas o tom é firme e até preocupado. Essa carioca, que na certidão tem o sobrenome Mattos Gonçalves, assumiu na vida profissional o apelido de infância. A origem? Era a mais baixinha dos primos, brincava na fazenda da avó e se escondia quietinha no meio do capim – só era denunciada quando o matinho balançava. O apelido pegou e ela assumiu.

Formada em Nutrição, Gabriela acabou se desviando do objetivo inicial, que era se dedicar à área esportiva, quando começou a dar aulas de capoeira para garotos e garotas. Foi paixão à primeira vista – pelo desafio de melhorar a comida da criançada.

– Isso tem quase 20 anos. E de lá para cá a situação mudou muito, e não foi para melhor. As famílias já vivem num estado permanente de correria, sem tempo para nada. Tenho visto um panorama assustador: crianças de 9, 10 anos com males de adulto, como hipertensão e doença hepática.

Hoje, aos 38 anos, Gabriela é uma celebridade nacional. Quem acompanha o programa de TV já sabe que ela rema contra a corrente que joga no dia a dia os congelados e pratos prontos.

– Na minha época de garota a gente tinha um macarrão instantâneo e olhe lá!

Gabriela  está na TV – o programa vai pela 7ª temporada-, no consultório e em workshops e palestras pelo Brasil todo. O site da nutricionista está sempre renovado. Quando pode, está fazendo exercício, sempre ao ar livre (‘academia não rola, gosto de correr, nadar, fazer capoeira’). Ela é muito enfática quando fala do envolvimento das famílias no processo de correção dos hábitos nutricionais das crianças. E põe o dedo em algumas armadilhas. Sem dó.

– Todo mundo tem mais consciência e menos disciplina. Vejo no consultório e no programa casos de crianças que saem de casa em jejum, comem cachorro-quente na escola e ainda recebem biscoito recheado para ficar quietas no carro. Não dá!

Repete: é toda a família que tem de se transformar. Comer juntos, à mesa, sempre que puder, é uma das recomendações. Outra: jamais tentar disfarçar o processo de reeducação. A criança, ela garante, percebe tudo. Sempre.

– Tenho dois filhos: Sofia, de 11 anos, e Antonio, de 8. Eles levam brócolis para a escola e ‘contaminam’ quem está do lado! A criança que entra numa reeducação participa de todo o processo, necessariamente, e ajuda a reeducar a mãe. Os pais não podem ceder a essa tentação de terceirizar o problema deles. Nem com a babá, nem comigo!

Veja aqui cinco boas dicas para quem quer melhorar a comida das crianças em casa:

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