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Rótulos: nem sempre trazem informações compreensíveis

A endocrinologista Janaína Koenen explica o que devemos descobrir nos rótulos de produtos industrializados - e como ficar alerta para as armadilhas!

 

A boa alimentação, hoje, é reconhecida como fator decisivo na manutenção da saúde e até na cura de patologias. Fala-se o tempo todo num cuidado maior, em incluir alimentos orgânicos ou pelo menos frescos na dieta.

Mas sejamos realistas – os alimentos processados fazem parte da vida cotidiana urbana. Enlatados, empacotados, conservados, congelados, desidratados, colhemos nas prateleiras nossa cesta básica. Para não deixar a qualidade da alimentação baixar, é necessário saber ler e interpretar os rótulos de latas e pacotes.

Segundo a endocrinologista Janaína Koenen, é preciso que os rótulos não sejam um mistério: e para que a gente entenda do que se tratam os elementos às vezes demonizados como a gordura trans e os conservantes, vale a pena investir um esforço. No Brasil, é obrigatório que constem nos rótulos todos os ingredientes de um produto, o que já ajuda – “pelo menos a quem entende as informações que constam nos rótulos”, explica ela.

– Já os produtos importados, como os suplementos americanos tão utilizados nas academias, não sofrem este tipo de regulação. Nos Estados Unidos, o fabricante coloca o que quiser no rótulo dos suplementos. Em um estudo, encontraram oxandrolona (um anabolizante) em 20% dos Whey protein testados de várias marcas e países, que não constava no rótulo – alerta a médica.

Veja o que Janaína aconselha.

Os principais enganos na hora de ler um rótulo – “O consumidor leigo não costuma saber o significado de todos os componentes e a indústria usa isso em seu favor, separando “açúcar”, “xarope de milho” e “sacarose”. Vários produtos zero açúcar contêm maltodextrina, outro tipo de açúcar e nem sempre são ideais para diabéticos ou para quem quer perder peso. Para a indústria, açúcar é apenas a sacarose. Certos adoçantes, como o maltitol, têm calorias e podem aumentar a fome ao estimular a produção de insulina.

Existem gorduras boas e gorduras ruins? “Baixo teor de gordura” nem sempre é uma coisa boa? Baixo teor de gordura, na maioria das vezes, significa que o produto contém mais carboidrato. Mesmo os iogurtes gregos, em sua maioria, contêm açúcar ou suco concentrado de fruta, ricos em frutose, um carboidrato que aumenta inflamação no fígado, aumenta resistência insulínica e pode piorar o ácido úrico.

– E a famosa gordura trans? O que é e o que traz de problemas? As gorduras trans são formadas durante o processo de hidrogenação industrial dos óleos vegetais líquidos para que fiquem em estado sólido à temperatura ambiente. São utilizadas para melhorar consistência dos alimentos e aumentar a vida de prateleira de alguns produtos – como batatas congeladas para fritar, sorvetes, salgadinhos (chips), donuts, margarinas sólidas e cremosas, cremes vegetais, massas industrializadas para bolos e tortas, cookies e biscoitos recheados e/ou amanteigados e pipoca de microondas.  Essas gorduras estão associadas ao aumento de risco de infarto e acidente vascular cerebral.

– Então, todas as outras as gorduras são boas? Sim – inclusive as saturadas, presentes nas carnes gordas e derivados gordos do leite. Mas as melhores são do azeite de oliva (extra-virgem, prensado a frio, acidez menor que 0,5%), abacate, azeitonas (principalmente as pretas, como a Azapa), castanhas (nozes, avelãs, pecãs, macadâmias, castanha do Pará e pistache) e peixes ricos em Ômega 3 (salmão, arenque, sardinhas, atum, cavalinha).

– Produtos integrais são sempre melhores do que os refinados? Os grãos refinados passam por um processo de retirada da casca, das fibras, das proteínas. Sobra o amido: moléculas de glicose cujas ligações são facilmente quebradas no processo de digestão. Se você não tem nenhum problema de saúde e não está precisando perder peso, o pão integral é sim uma boa opção, mas prefira os artesanais que sejam realmente integrais, pães de castanhas e sementes como de girassol. Pães de supermercado, em geral, contêm mais farinha refinada que integral.

– Dietas sem glúten e lactose podem ser saudáveis para quem não tem alergia ou intolerância a esses elementos? Depende. Trocar glúten por arroz e mandioca pode piorar as coisas: são todos carboidratos de alto índice glicêmico e podem inclusive engordar e aumentar o risco de diabetes. E a lactose nos produtos zero foi quebrada em glicose e galactose, açúcares menores, mas que continuam lá. Logo, não emagrece. Os derivados gordos do leite podem ser consumidos e não estão associados ao ganho de peso ou desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como estudos recentes demostraram.

– Sódio é outro ‘ vilão’ da alimentação. A fama procede? O sódio só deve ser restringido em pacientes hipertensos, principalmente, os descontrolados. Nesse caso se evitam alimentos processados: congelados, molhos e temperos prontos (ketchup, molhos de salada, caldos de carne, legumes e galinha), molho shoyu, alimentos que contenham glutamato monossódico, adoçantes com ciclamato de sódio, chips.

Quatro dicas rápidas:

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