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Quando o perfeccionismo se torna doença

O psicólogo e coach João Alexandre Borba alerta para um estado patológico de busca de uma perfeição inesxistente

 

Muita gente supõe, incorretamente, que o perfeccionismo é um impulso, do ponto de vista profissional e do pessoal. Um motor para chegar ao topo da realização. Mas não é. Pelo contrário: o perfeccionismo tende a prejudicar o sucesso. Na verdade, não é o perfeccionismo que leva ao sucesso. É o trabalho bem feito. A melhor definição para o perfeccionismo é a busca pela perfeição inalcançável, que queima sua força de vontade, auto-estima e vontade de viver enquanto tenta atingir objetivos irreais.

A situação, na grande maioria das vezes, pode tornar-se patológica, a ponto da pessoa deixar de fazer muitas coisas que  antes lhe davam prazer. Nós tendemos a achar que o perfeccionismo é vantajoso, quando não é. Uma coisa é  ser comprometido e dedicado a fazer algo com qualidade. Isso é positivo. Mas o perfeccionismo traz consigo um sentimento de raiva; o perfeccionista até pode ser aplaudido pela qualidade de execução de algo, mas no final não consegue reconhecer o próprio sucesso. É aquela famosa cobrança: eu tirei 9,5 na prova, mas poderia ter tirado um 10, e  lamento muito por isso.

Todo perfeccionista tem um olhar ao que ficou faltando, gerando um sentimento de incompetência. Ele persegue de modo patológico padrões elevados, inatingíveis. O sentimento pode aparecer associado à ansiedade, depressão e perturbações alimentares. É a ideia de que ”um erro é o fim!”

Recentemente, alguns psicólogos até mesmo passaram a acreditar que o perfeccionismo seja um tipo de personalidade obsessiva, e não apenas uma característica. É que ser perfeccionista implica na necessidade de se sentir no controle de todos os aspectos e situações para sua própria segurança.

O perfeccionista também vê afetadas as relações sociais. Apresenta uma formação rígida do pensamento que o impede de se adaptar a diferentes situações, tratando mal as pessoas à sua volta, como se todos estivessem atrapalhando. Sente que só pode ter prazer depois de concluir todas as tarefas, embora sempre acredite que as tarefas não foram bem feitas. Entãose pune, retirando o prazer de si mesmo. Pode assim se tornar uma pessoa rancorosa e amargurada.

Sabemos também que os perfeccionistas não nascem assim. O ambiente onde  são criados os torna desse jeito. Por exemplo: pais que colocam mais e mais pressão sobre seus filhos para tirar o 10 na escola; ou locais de trabalho onde haja cobranças constantes por melhorias. O perfeccionismo pode inda ser detonado por um relacionamento, em que o parceiro nunca parece satisfeito, fazendo com que se busque satisfazer às demandas cada vez maiores dessa pessoa.

Um perfeccionista erra, e muito. A diferença é que ele aperfeiçoou como esconder seus erros, até dele mesmo.

 

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