< Voltar

“Atenuar o sofrimento em doenças ameaçadoras é fundamental” – a médica paliativista Lorraine Veran explica sua especialidade

No Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, médica da especialidade explica como é importante um olhar holístico para o paciente e sua familia

A palavra Paliar é pouco conhecida – segundo o dicionário, é sinônimo de “aliviar, tornar menos intenso; abrandar, amenizar, atenuar”. Paliar e cuidar são duas palavras que, na Medicina, nos remetem aos atos de proteção e acolhimento integrais ao paciente e extensivos à família. E hoje, dia Mundial dos Cuidados Paliativos, faz sentido chamar a atenção para essa prática na Medicina – de assistência multidisciplinar.

Ao contrário do que alguns imaginam, o Cuidado Paliativo não é novo. Nasceu na Idade Média, voltada para a dimensão total de um indivíduo – física, mental, espiritual e sócio-cultural, com o propósito de melhorar da qualidade de vida em situações de doença ameaçadora ou incurável. Um alívio do sofrimento e suas consequências na vida diária destas pessoas.

A abordagem dos Cuidados Paliativos idealmente se inicia no diagnóstico da doença e caminha ao lado do tratamento modificador, ganhando prioridades ao longo desta trajetória. O alívio dos sintomas como a dor é um dos objetivos deste trabalho multidisciplinar que envolve conhecimento técnico e sabedoria da palavra e da presença. Mas não é só isso.

A atitude de compaixão e empatia para com o próximo estão no cerne desta assistência. Somos como maestros da qualidade de vida e do resgate de identidades, individualidades e emoções que se perdem no contexto de uma doença ameaçadora.

Nos cuidados Paliativos, não somos “doutores da morte”. Essa é uma interpretação errônea. Sabemos que a morte é um processo natural da vida, assim como o nascimento, e portanto enxergamos de forma ética e respeitosa este momento. Somos treinados e preparados para isso. Trabalhamos o apoio na fase de luto e nas questões práticas do dia a dia.

O que fazemos é buscar o resgate da boa vida, mesmo em momentos de ameaça. O alívio do sofrimento e de outros sintomas angustiantes, físicos e emocionais, através de uma ampla ação em conjunto com outros profissionais é a imagem mais forte desta assistência que enxerga o outro de maneira ao mesmo tempo única e holística.

A vida é bela, do início ao fim.

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterEmail to someone