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No Museu do Ingá, arte-educação é fundamental e as Oficinas de Gravura atraem crianças e jovens

“O ensino da arte é decisivo para a formação de cidadãos conscientes e de bons profissionais em qualquer área”, dizem os coordenadores

Nos dias de hoje, é praticamente impossível não estar cercado de imagens: carimbos, camisetas estampadas, letreiros, outdoors, anúncios em pontos de ônibus, imagens nas telas de TV, celulares, computadores, tablets etc. Mais do que em nunca, a imagem move o nosso dia a dia, conduz e representa as nossas atitudes cotidianas. Gravar imagens numa matriz, editar a imagens no celular, mudar as formas de impressão, desde as impressões digitais: eis a natureza da gravura que contamina o nosso olhar.

Um dos papéis do museu é estar a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento.  Como diria Ana Mae Barbosa, “museus são laboratórios de conhecimento de Arte, tão importantes para a aprendizagem da Arte como os laboratórios de Química o são para a aprendizagem da Química”.  No decreto de criação do Museu do Ingá – onde a instituição se define como “dedicada à pesquisa, documentação, preservação e difusão da arte e da história do estado do Rio de Janeiro” – já estão previstas as oficinas de Gravura e Escultura  que seriam respectivamente criadas em 1977 e 1978.

Como coordenadora da Oficina de gravura do INGÁ,  Anna Letycia  preocupou-se em não alijá-la dos debates contemporâneos e interseções com outras linguagens. O artista, em suas obras, reflete sobre o seu tempo. O museu é um dos espaços de mediação e diálogo com essas obras e com a cultura de cada um, em seu espaço e tempo. É assim que o museu pode ser considerado um importante espaço educativo à disposição da sociedade.

O programa de arte-educação da exposição Experiência e Método espelha essa pluralidade. Com uma diversidade de ações e um olhar para diferentes públicos, desenvolve atividades que vão desde visitas mediadas para escolas e público espontâneo a atividades lúdicas propostas em um espaço dedicado a experimentação.

Quase sempre, o primeiro contato com a arte é feito na escola, nas aulas de arte e posteriormente em visitas aos museus. São nesses momentos, que se começa a ter as primeiras noções sobre os artistas, as coleções, as técnicas e a história da arte. No Museu, o espaço de arte-educação é voltado prioritariamente para o público infanto-juvenil e familiar. Propomos um contato com materiais de diferentes maneiras, das mãos estampadas para os menores até o preparo e a impressão de matrizes simples, com suportes flexíveis. Foram pensadas atividades que podem ser realizadas durante as férias escolares e durante as aulas, para diferentes idades, sempre em diálogo com as linguagens artísticas apresentadas na exposição.

Acreditamos que, quando o contato com a arte e museus de diferentes tipologias começa cedo, o indivíduo pode conhecer mais sabiamente o que lhe agrada e descobrir do que ele não gosta baseado nas próprias experiências e no acesso a informações.

Com a exposição Experimentação e Método, trazemos à tona a importância das oficinas e do ensino da arte como locais de atividades criativas, que colaboram de maneira decisiva para formação de cidadãos conscientes e de profissionais adequados às expectativas do mercado de trabalho contemporâneo.

Sabemos que a educação é tema central na pauta das grandes discussões nacionais. É preciso porém considerar que a educação não é apenas absorção passiva de um código linguístico e sim instrumento de compreensão , análise e transformação do mundo. Qualquer método de sistematização do conhecimento e de suas relações de comunicabilidade entre os indivíduos só será levado a bom termo se houver a intervenção da arte, entendida não apenas como técnica ou disciplina do saber mas sim, e principalmente, como instância responsável pela pesquisa, pela inovação e pela criatividade. A arte potencializa as vocações intrínsecas da espécie humana e o consequentemente o consumo cultural dignifica o ser humano.

*Marcus Lontra eViviane Matesco  são curadores da exposição Experiência e Método – Oficina de Gravura do Ingá e Mariana Várzea coordena o projeto Arte e Educação da exposição Experiência e Método – Oficina de Gravura do Ingá

SERVIÇO:

Experimentação e Método – Oficina de Gravura do Ingá 
Curadoria:  Marcus Lontra e Viviane Matesco
MUSEU DO INGÁ 
Visitação: até 27 de maio de 2018 
Rua Presidente Pedreira, 78 Ingá, Niterói
De quarta-feira a domingo, 12h às 17h, fechado nos feriados. 
(21) 2717 2893 / 2717 2903producao.museudoinga@gmail.com facebook.com/museudoingarj

 

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