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Mirian Goldenberg: a felicidade é sólida em casamentos em que a mulher é mais velha

A antropóloga divulga em novo livro sua pesquisa, em que comprova a satisfação de casais com essa configuração fora do padrão

Foto: Wallace Cardia

 

O timing da pesquisa e do lançamento no novo livro da antrópologa Mirian Goldenberg não podia ser melhor. Debruçada há três décadas sobre o estudo dos relacionamentos conjugais, decidiu perseguir um tema novo, surgido lateralmente numa das pesquisas: os casamentos de mulheres mais velhas com homens pelo menos dez anos mais jovens. Isso, no momento em que a imprensa, no mundo inteiro, destaca o perfil conjugal do novo presidente da França, Emmanuel Macron, de 39 anos, casado com Brigitte, de 64.

– Ele é meu garoto propaganda, fiz campanha para ele ganhar e divulgar meu novo livro  – brinca a antropóloga, que está lançando, Por que os homens preferem as mulheres mais velhas? (Ed. Record) nesta terça (13), na Livraria da Travessa, no Leblon, com bate papo e autógrafos.

Mirian chegou ao tema através de suas pesquisas ligadas às relações afetivas e ao envelhecimento – ela lançou, ano passado, o livro A Bela Velhice. Na verdade, deu de cara com a situação ao perceber, em entrevistas, que essa composição produzia os relacionamentos mais felizes, estáveis, satisfatórios. E que esse arranjo era mais comum do que eu imaginava

– Tenho pesquisado envelhecimento há muitos anos e, cada vez mais, me deparava com a questão do casamento – explica ela. – Acabei entrevistando 52 casais, todos no Rio, em que o homem é pelo menos 10 anos mais jovens que suas mulheres e  que mantêm uma relação com duração de pelo menos dez anos. Não são casos, aventuras.

Em 2010, Mirian montou os grupos com mulheres casadas com homens mais jovens e outro, de homens casados com mulheres mais velhas. E chegou à conclusão que conduz o livro.

– Percebi diversas situações que explicam esse sucesso dos casamentos entre mulheres mais velhas e homens mais jovens. Primeiro, porque a relação se fortalece ao enfrentarem juntos os preconceitos e rotulações dentro e fora das famílias. Briguinhas e conflitos do cotidiano perdem um pouco o sentido quando se tem que enfrentar coisas muito mais sérias.

As mulheres, ainda por cima, enfrentam seus próprios preconceitos, conta a antropóloga.

– São medos, inseguranças. A maioria das mulheres têm, no inicio, a certeza de que vão ser trocadas! – prossegue Mirian. – Mas, aos poucos, vão se sentindo mais seguras, porque seus cônjuges seguem provando que elas são muito mais importantes para eles do que as demais. A bunda e o peito durinhos não são o mais importante para uma relação feliz.

Os homens, por seu lado, não colocam a idade como fator decisivo nos relacionamentos, conclui a pesquisadora. Pelo contrário: veem suas companheiras como mulheres mais maduras, interessantes, carinhosas, divertidas, seguras, inteligentes; demonstram admiração e gratidão e chegam a dizer que  elas “salvaram a vida deles”.

– Os homens afirmam que não enxergam o fator idade e que, pelo fato de terem encontrado mulheres de vida mais estabilizada, tomaram caminhos acertados – diz a antropóloga. – Por outro lado, há uma felicidade muito maior das mulheres, que não se sentem mulheres invisíveis, transparentes, sem valor só porque não são mais jovens; não ficam remoendo aquela falta disso, falta daquilo, de reconhecimento, de beijo na boca. Elas têm outras riquezas e qualidades mais valiosas do que o corpo durinho.

Há quem enxergue nesse tipo de relação uma busca da mãe. Mirian rebate essa ideia.

– O medo do espírito, digamos, “incestuoso” é mais das mulheres. Os homens não se sentem em absoluto dessa maneira. É bom lembrar que não são mulheres com autoestima maior que as outras. Têm as mesmas inseguranças. E que todas já haviam sido casadas com homens mais velhos, todas têm filhos, algumas têm filhos da mesma idade do marido. Mas elas comparam as relações. Dizem: essa é muito melhor.

A antropóloga concorda que essas relações estão “saindo do armário”. E esse fato tem uma conexão com a posição de maior poder das mulheres na sociedade.

–  Quanto mais poderosa e independente uma mulher é, menos precisa de um homem para ir valorizada, e assim ela pode escolher. E por que não escolher homens mais jovens, mais baixos, com menor escolaridade? Se é esse homem que a faz mais feliz, não precisa ser mais alto, mais velho, com mais dinheiro, mais sucesso, mais poder! Tanto que o [Emmanuel] Macron virou presidente da França e continua com essa mulher que ele escolheu aos 15 anos, quando ela tinha 39.

Lançamentos com bate-ppo e autógrafos

No Rio: Terça, 13 de junho, a partir de 19h na Livraria da Travessa do Shopping Leblon – Av. Afrânio de Melo Franco, 290
Em São Paulo: Terça, 20 de junho, a partir de 19h, no Auditório da Folha de São Paulo – Rua Barão de Limeira, 425

POR QUE OS HOMENS PREFEREM AS MULHERES MAIS VELHAS?  – Mirian Goldenberg
128 páginas – R$ 32,90
Editora Record

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