< Voltar

Mamografia: nova máquina permite à paciente controlar a compressão

Exame fundamental na detecção precoce do câncer exige a compressão da mama, mas o incômodo vem sendo atenuado

 

 

Os primeiros Raios X foram usados na medicina em 1895 e, dezoito anos depois, começaram a serem feitas na Alemanha radiografias de lesões mamárias. Mas somente na década de 1950 a técnica se aprimorou, relacionando microcalcificações a casos de câncer. De lá para cá, caminhou-se a passos largos: o avanço da precisão dos exames é cada vez maior. Da primeira máquina específica desenvolvida pela General Electric em 1967 até os dias de hoje, somente um ponto não mudou – ainda: a compressão dos seios continua sendo necessária para alcançar o melhor resultado.

– Muitas pacientes ainda comentam que é um exame desconfortável, doloroso – concorda a radiologista Fernanda Philadelpho, coordenadora e integrante do corpo clínico da  CDPI, que tem uma nova tecnologia de controle da compressão, uma máquina chamada Senographe Pristina. – Mas a maioria sabe da sua importância, o que compensa a dor ou incômodo.

É inegável a importância do exame para detecção precoce do câncer de mama – segundo o INCA, “o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano”. A compressão da mama, que está no centro das reclamações, é necessária para reduzir a espessura do tecido mamário, reduzindo também o tempo de exposição e aumentando a resolução.

– A mamografia deve ser realizada no rastreio anual do câncer de mama a partir dos 40 anos – reforça a radiologista. – Não pode ser dito que é um exame preventivo, pois não previne o aparecimento do câncer, mas permite o diagnóstico precoce com melhores possibilidades de tratamento e prognóstico.

No Brasil, o índice de mulheres entre 50 e 69 anos que fazem mamografia está entre 30 e 70%, dependendo do estado avaliado: regiões mais desenvolvidas do país respondem pelos maiores índices. A médica lembra que a mamografia computadorizada já foi um enorme avanço e é ainda usada nos dias de hoje, seguida pela mamografia digital.

– Hoje temos a introdução da tomossíntese, que é uma mamografia tridimensional que reduz o problema de sobreposição de tecido fibroglandular, já sendo esta a primeira escolha nos países desenvolvidos.

A nova tecnologia permite ainda que as próprias pacientes regulem a compressão com um controle remoto.

– As mulheres se sentem mais confortáveis no momento de fazer a compressão das mamas, já que elas podem participar ativamente dessa etapa tão necessária do exame – continua Fernanda. – Esperamos encorajar mais mulheres a fazerem o exame de mamografia de rotina com esse novo aparelho.

No Rio, além do CDPI, o CEPEM (Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher) também já usa o novo aparelho. Em outras capitais, há diversos hospitais e clínicas – como o IMEB, em Brasília – que já dispõem dessa tecnologia. No serviço público de saúde, ainda não existe.

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterEmail to someone