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Laços de leitura: histórias aproximam pais e filhos

Escritora carioca lança o infantil "O Reino Partido ao Meio" e fala como a literatura ajuda nos dilemas em família

REINO-PARTIDO_Rosa

Foto: Rodrigo Lopes/Divulgação

Em 1974, o psicanalista norte-americano Bruno Bettelheim lançou A Psicanálise dos Contos de Fadas, que trouxe ao grande público uma nova luz sobre as tradicionais histórias com bruxas, princesas e sapos – e que se tornaria um best seller. Ele apontava como as histórias infantis eram maneiras de levar às crianças os fatos da vida, de trabalhar a complexidade das emoções, e de ajudar a atravessar dúvidas e ambiguidades inerentes ao crescimento. De João e Maria a Branca de Neve, de Chapeuzinho Vermelho a Peter Pan, as fábulas oferecem aos pequenos muito mais do que lições de moral: dão as pistas para entender dores e mudanças da vida.

Nos dias de hoje, uma das situações mais comuns na vida das crianças são as recomposições familiares – separações, novos casamentos, novos integrantes da família. A escritora carioca Rosa Amanda Strausz está lançando seu 23° livro infantojuvenil – O Reino Partido ao Meio (Ed. Companhia das Letrinhas), uma delicada parábola que coloca um principezinho antes muito tranquilo no centro de uma batalha. Ele precisa conciliar os dois lados do reino que um dragão furioso partiu em dois. Numa parte ficou seu pai, o Rei; na outra metade, a Rainha. É um conjunto de metáforas para a separação dos pais, em geral um terremoto no mundo da criança, com o qual ela precisa entender e lidar.

– As histórias infantis têm essa capacidade de trazer enredos e palavras para o que a criança está sentindo. Essa, aliás, é a função da literatura de um modo geral. Mas para a criança, que precisa articular sentimentos que ela ainda não compreende, essa função ganha mais importância.

Rosa, escritora premiada – seu livro de estreia, Mínimo Múltiplo Comum, ganhou o Jabuti – conta que essa foi a primeira história infantil que escreveu. E foi motivada justamente pela separação difícil pela qual estava passando.

– Eu contava a história desse Reino Partido para meu filho, na época com 4 anos, e a cada vez inventávamos um novo final. Mas acabei publicando outras histórias antes dessa, como Mamãe Trouxe um Lobo para Casa, escrita quando me casei pela segunda vez. Mais de vinte anos depois, O Reino Partido ganhou um fechamento definitivo.

TRÊS DICAS DA ROSA:

1

 A criança dá pistas muito importantes quando pede para ouvir uma mesma história várias vezes – é, certamente uma necessidade de elaboração de alguma questão que a narrativa traz à tona.

2

– Pais e filhos, quando leem ou inventam histórias, estão criando para sempre um laço fundamental. A criança percebe que os pais são capazes de dar palavras a ela. Isso é precioso.

3

– Histórias clássicas duram tanto tempo por motivos profundos: trabalham questões fortes e nem sempre doces, como o medo do abandono. Os antagonistas, como ogros, dragões, madrastas malvadas, dão expressão e corpo a medos e perplexidades das crianças.

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