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“Impactar positivamente a sociedade é meu objetivo com a ‘Universidade por um dia'”

O trabalho voluntário da jovem psicóloga é, para ela, a demonstração da força dos movimentos coletivos de informação e inclusão

 

Desde sempre, como uma aquariana que se se preze, tive a necessidade de ter um olhar para os oprimidos e com os que têm menos oportunidade. A desigualdade e a liberdade sempre foram temas que me interessaram. E me instigam a combatê-los! Parece um tanto clichê, mas sempre me perguntei: como posso fazer a diferença e de forma coletiva? Impactar o máximo de gente possível? Sempre me coloquei muita pressão visando conseguir de verdade fazer impactos positivos para a nossa sociedade como um todo.

Entrei no campo da psicologia, para mim foi um divisor de águas por me fazer entender diversos mecanismos inconscientes e conscientes que existem na nossa psique. Foi quando eu entendi que a maior liberdade de todas é você tornar consciente o que está inconsciente. Quando isso acontece, você deixa de ser comandado pela sua mente e se torna capaz de ter o poder de escolha perante as suas ações. Quer liberdade maior do que tornar-se apto a escolher o que você quer para você? A psicologia me encaminhou para essa grande descoberta e sou grata a isso! Mas o que eu desejava ainda era impactar um grande número de pessoas de forma coletiva. Oferecer esse tipo de liberdade de forma coletiva.

Meu primeiro trabalho voluntário foi aos 19 anos, quando eu tive a oportunidade de ir para a Ásia trabalhar em uma escola, localizada em Krabi, no sul da Tailândia, com crianças maravilhosas de três anos. Eu chegava todo dia com vários voluntários em um ônibus semiaberto passando por uma estrada de terra e ensinava inglês a elas. Foi uma experiência muito enriquecedora, onde entendi a importância do trabalho voluntário. Estar aberta a doar  tempo e carinho a pessoas que não necessariamente te darão algo em troca naquele exato momento. Ter empatia pelo outro e saber abrir o seu coração para o desconhecido. Mal sabia que eu era a pessoa quem sairia desta jornada completamente diferente e com uma visão muito mais ampla.

Voltei para a faculdade com uma grande necessidade de continuar nesse caminho social, quando tive a chance de conhecer o projeto social PIPA (Produção do Imaginário, Psicologia Aplicada), no qual trabalhei por três anos, até me formar. O PIPA me ensinou o que é ser psicóloga na prática. Um trabalho com base na linha teórica do Carl Jung. Trabalhávamos com crianças de comunidades (Rocinha, Vidigal e Parque da Cidade) levando até eles a noção de equilíbrio – através de movimentos com o corpo físico, a importância de estar conectada ao presente e da prática da meditação – e, por último, fazíamos a dinâmica com a argila, quando eles podiam materializar e compartilhar uns com os outros os seus conteúdos inconscientes.

Eu guiava as sessões e aprendi, errando e acertando, o que é ser psicóloga. Foram três anos de muito aprendizado! Entendi que ser psicólogo é ter empatia por uma outra realidade que provavelmente será completamente diferente da sua. Serei eternamente grata ao PIPA e ao Alvaro Gouvêa, que idealizou esse projeto e tanto me ensinou.

Em paralelo, eu me voluntariei a um projeto na aula de Empreendedorismo Social, na PUC. “Universidade Por Um Dia”! Um projeto que tinha como objetivo levar até alunos de escola pública informações sobre diversas áreas de atuação, dentre elas, a psicologia. Achei a ideia maravilhosa e pedi para dar continuidade no semestre seguinte. Organizei junto com um grupo a segunda edição em uma outra escola estadual no Rio de Janeiro.

Me formei e continuei com o desejo de impactar mais gente, e percebi que a educação continua sendo a forma mais efetiva de levar o poder de escolha para esses jovens da rede pública. Foi quando me juntei à produtora Araucária, de Miguel Colker, e fizemos juntos a 3ª edição do “Universidade Por Um Dia”. Desta vez, focamos em levar até eles áreas ligadas à cultura como teatro, música, moda, design e fotografia. Além de palestras, tivemos apresentações de dança, teatro e do Quinteto de Metais da Orquestra Sinfônica da Petrobras. Foi um dia incrível de muitas trocas. Levamos cerca de 500 alunos de sete escolas da rede pública até o campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, para que eles pudessem vivenciar todas essas atividades, além dos stands das carreiras.

Meus objetivos com esta edição foram bem específicos: impactar e levar o máximo de informação aos jovens estudantes da rede pública e promover a oportunidade das pessoas estarem se voluntariando e causando um impacto positivo na vida de alguém. Os objetivos foram cumpridos e contamos com uma equipe de 150 voluntários.

Grata a todos! Acredito que juntos somos capazes de mudar!

*Chloé D’Archemont – Psicóloga e coordenadora do projeto social “Universidade Por Um Dia”

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