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“É hora de realizarmos um novo salto na evolução”

O psicanalista e professor propõe uma reflexão sobre a evolução do ser humano e nossos próximos passos

Soube que pesquisas científicas chegaram à conclusão que há milhões de anos o ser humano andava de quatro. Foi nas savanas que aquele quadrúpede se colocou gradualmente de pé, para que, numa altura superior a um metro e meio, pudesse ver os outros animais se aproximando. E assim, aumentou o raio de visão, fazendo com que os próprios olhos ganhassem também maior mobilidade.

Este que evoluiu é o que na psicanálise chamamos de “Ser Objetivo”, o racional, o visível, que se construiu na vertical para triunfar sobre os riscos sempre próximos de extinção.

Como disse Nietzsche, “pode-se muito bem admirar o homem como um grande gênio construtivo que consegue erigir sobre fundamentos móveis. Como gênio construtivo, o homem se eleva muito acima da abelha: esta constrói com cera, que recolhe da natureza; ele, com a matéria muito mais tênue dos conceitos, que antes tem de fabricar a partir de si mesmo.”

Se fizermos um paralelo da evolução humana em seus milhões de anos com a nossa existência individual, veremos que uma em nada difere da outra.

Nascemos, aprendemos a andar de quatro e com a insistência conquistamos a verticalidade. De fato, passamos a vida entre o estar de pé e a horizontalidade do repouso.

Em nosso corpo subjetivo, o corpo psicológico, a evolução se realiza na mesma dinâmica. Temos que colocá-lo na verticalidade, capaz de olhar com os olhos psíquicos para além das savanas e através dele buscar as permanências em nossas vidas.

A abelha não consegue criar de outro modo. Se não encontrar do que necessita, vai perecer. Mas nós somos seres transformadores. Em nossas mãos, uma coisa se transforma em outra.

Uma pedra na mão de uma pessoa toma muitas formas. Escultura. Arma. Parede de casa. Ponte… ou muro.

Ultrapassamos os limites impostos pela natureza.Voamos sem asas, navegamos sem barbatanas.

O que faz tudo isso?

É a vontade de transformar associada à criatividade e ao contínuo olhar para as possibilidades;  isso faz com que a vida seja viável. É a genialidade humana buscando sempre as condições para que não nos tornemos uma espécie em extinção.

Assim, o contexto da vida individual e coletivo pode, sempre, se aprimorar e se ajustar.

Está na hora de realizarmos, todos nós, um novo salto na evolução. Estou me referindo a um salto de valores. Vamos sepultar a ideia de que tudo só tende a piorar. A maior força vence!

Com isto, conforme o título da matéria de uma amiga, Ana Paula Velloso, na revista Filosofia, podemos, na criação contínua, realizar o “Triunfo da Vida diante do Abismo”.

*Manoel Thomaz Carneiro é professor e psicanalista

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