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Dr. Internet para autodiagnóstico e tratamento? Vá com calma

A rede tem trazido facilidades para todos, mas melhor ter cuidado ao buscar informação médica

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Aquela dor de cabeça chatinha que apareceu? Provavelmente é causada pelo cansaço, ou talvez você tenha pulado uma refeição. Mas, se você jogar o termo “dor de cabeça” num motor de busca da Internet, vai receber de volta uma tsunami de informações – a causa pode ser alergia, ou tumores, ou má digestão, diabetes, vista cansada, esclerose… praticamente qualquer coisa. Ou seja, a rede tem as vantagens da acessibilidade mas certamente não serve para um leigo tentar se diagnosticar. E isso acontece muito.

– Hoje, com a Internet praticamente universal, quem pesquisa na rede um termo, sintoma ou doença pode ficar mais perdido do que informado – diz o clínico geral e médico do trabalho João Marcos Medeiros dos Santos. – Além de ser soterrado por informações, o paciente não tem capacidade de interpretar muita coisa e não tem treinamento para discernir a informação fidedigna. Corre o risco de ficar instantaneamente estressado, porque tende a valorizar o pior.

Segundo uma pesquisa do site Doctoralia , portal que conecta médicos e pacientes, “68% dos brasileiros declaram ter falado com o seu médico sobre os temas encontrados na Internet”. O infectologista Guenael Freire, médico da plataforma, tem a mesma percepção do clínico.

– O paciente acaba selecionando a informação que menos favorece, ou pior: procura tratamento milagroso na Internet. E isso pode ser perigoso, em especial se a pessoa tenta se automedicar.

Guenael cita casos de encomendas de suplementos e oferta de tratamentos que podem inclusive piorar um quadro.

– Fiz uma pesquisa sobre herpes e me impressionou a quantidade de tratamentos e procedimentos ditos alternativos, de ervas a laser, passando por aplicação de ozônio e dietas.

Ainda no olhar sobre as distorções, João Marcos lembra um caso recente.

– As perigosas anfetaminas, na forma de remédios para emagrecer, já foram mais facilmente compradas. Hoje o controle é maior, mas ainda se comercializa via mercado negro online. Mas há situações como a da liraglutida, um medicamento complementar no tratamento da diabetes, certificado pela Anvisa. Houve relatos de que a liraglutida teria um efeito emagrecedor e houve um uso indiscriminado. Mas quem usa um hipoglicemiante sem ser diabético corre muitos riscos, de um apagão total por baixa de açúcar no sangue até consequências de longo prazo que ninguém ainda sabe quais são. Esse é um dos exemplos, e há muitos.

Use o lado bom

A pesquisa da plataforma online Doctoralia ainda constatou que as gerações, como diz o médico infectologista, “mais experientes”,também estão usando a rede em benefício da saúde e do bem estar: ‘31% dos entrevistados com idade entre 51 e 60 anos está em ambiente online para pesquisar informações de saúde’.

Além de procurar profissionais recomendados – o Doctoralia disponibiliza as avaliações de pacientes -, os interessados conseguem trocar informações e formar grupos de apoio.

– Além de trazer suporte a quem precisa, como nos grupos formados nas mídias sociais para debater condições clínicas e emocionais, os médicos acessam pesquisas e, por que não dizer?, estão se tornando mais e mais acessíveis. Eu não dou consulta por mensagem instantânea, mas estou sempre disponível para o meu paciente. A tendência é isso aumentar.

João Marcos ainda lembra que a Internet é um instrumento valioso de atualização.

– O paciente tem direito de exigir que seu médico esteja a par de informações atualizadas.

Veja quatro dicas para consultar a Internet em questões de saúde: 

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