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Do lar e da escrita – “A felicidade é uma coisa estritamente pessoal!”

Professora lança seu segundo livro e comemora a possibilidade de conciliar papeis fazer opções que satisfaçam a si mesma, sem ceder a pressão externa

 

O cenário era o seguinte: marido no Sul, chorando ao telefone. “Não aguento mais de saudade de você e do meu filho!” (nos encontrávamos duas vezes por mês). Eu, do outro lado da linha, no Sudeste, chorando compulsivamente: “Por favor, preciso dormir uma noite inteira! Só uma!”.

Uma conversa franca e a conclusão de que não podíamos mais ficar separados. Mas quem largaria o emprego? Racionais e companheiros, decidimos que eu abandonaria temporariamente as salas de aula e caíria na estrada com ele e o pequeno (prevaleceu o maior salário), caso contrário, era ele quem voltaria a morar em nossa cidade natal, perto da família e dos amigos!

A decisão foi tomada quando nosso filho completou 8 meses de vida e, até os 3 anos dele, fiquei totalmente envolvida em sua criação e nas tarefas de casa.

Já morando em São Paulo, Vini com 4 anos, bem mais independente, outra questão: O que fazer enquanto ele estava na escola? Novamente, o lado financeiro pesou porque possivelmente voltaria a dar aula e pagar pelo tempo integral um valor bem próximo ao que receberia como professora. Mas a quem eu estava querendo satisfazer? A mim mesma? Tenho a oportunidade de ouro de poder estar com meu filho tempo suficiente para compartilhar meus valores, vê-lo crescer, e… caramba… dar aquele aperto gostoso nele toda vez que me dá vontade! Então, a resposta era NÃO! A verdade é que estaria apenas tentando satisfazer às pessoas que me julgaram uma feminista de meia tigela que vivia às custas do marido…

Que se dane! Felicidade é uma coisa bastante pessoal e a minha me dizia para erguer a cabeça e tampar os ouvidos às críticas de quem não tinha menor noção do que eu vivia.

Mas o espaço vazio das tardes continuava me incomodando, o diploma engavetado também… Academia de ginástica, aulas de inglês… E ainda espaço vazio? Voltei então à leitura, média de dois livros por semana. E foi assim, durante uma leitura descompromissada que me surgiu a ideia maluca de escrever um livro.  Será que consigo? Histórias divertidas, cheias de emoção e romance, mas que retrate a maioria de nós, mulheres com mais de trinta anos e que perceberam que era pura ilusão (na maioria das vezes) a ideia de que no final dos vinte tudo estaria devidamente ajeitado (carreira, família, corpo e mente).

Publiquei meu primeiro romance ano passado, Minha intenção, e foi um prazer perceber o quanto a história foi bem aceita. O incentivo me fez escrever o segundo, Não resisto. E, da amiga que voltara de um doutorado na França a uma querida pessoa que uma vez por mês me ajudava na limpeza de casa cheguei a conclusão de que o verso da música dos Beatles nunca fizeram tanto sentido para mim, “All you need is love”!

*Amanda Marques tem Licenciatura em Letras pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora e especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Com as constantes mudanças de cidades descobriu na escrita uma profissão “portátil” e prazerosa, na qual consegue dividir o tempo com a criação do filho Vinícius.

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