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Desaperta os dentes, menina!

A Disfunção Temporomandibular, DTM, afeta muito mais as mulheres e pode ser causada por estresse

dtm capa

Você abre a boca para um bocejo gostoso e… PLEC! Um estalo dolorido na mandíbula parece ressoar por todo o ambiente.  Ou surge uma dor de dentes, de ouvido ou de cabeça que não tem explicação direta. Já aconteceu com pelo menos uma a cada três pessoas no Brasil. A estimativa é de que 37,5% da população apresentem ao menos um sintoma de Disfunção Temporomandibular, a DTM. Desses, 15,6% precisam de tratamento. Estamos falando do sistema muscular da mastigação e da articulação dos maxilares, que fica bem à frente dos ouvidos. Dos pacientes diagnosticados, 80% são mulheres.

– Os principais sinais e sintomas da DTM são dificuldade ou dor para abrir e movimentar a boca, dor ou ruídos na articulação temporomandibular, dor na região do ouvido, dor na região cervical, dor ou cansaço nos músculos da face e certos tipos de dores na cabeça – explica João Henrique Padula, presidente da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF).

Geralmente, o desconforto é temporário e cíclico. Mas em algumas pessoas, quando mal diagnosticadas ou tratadas de forma equivocada, os sintomas podem avançar – e até se transformar em doença crônica.

– Essas disfunções estão relacionadas com aspectos genéticos e psicossociais, com a qualidade do sono e com o constante apertamento dos dentes durante o dia.

O chamado bruxismo do sono – situação em quando a pessoa range os dentes dormindo – e também o tal apertamento dental em vigília, ou seja, durante o dia, são fatores de maior risco para desenvolver uma DTM. E por que as mulheres sofrem mais?

– Há hipóteses que sugerem o aspecto hormonal. Mas não podemos esquecer do lado psicossocial – aponta Padula. – As mulheres vivem em estado de multitarefa. No fundo, é uma soma de fatores: o aspecto psicossocial e o genético são os mais fortemente apontados.

O tratamento deve contemplar, portanto, o modelo psicossocial em pacientes submetidos a fatores estressores, portadores de dores crônicas, que fazem uso de uma classe específica de antidepressivos, com alterações no sono, diagnosticados com cefaleias crônicas e fibromialgia.

– O diagnóstico inicial deve ser feito por um dentista especialista em DTM e Dor Orofacial. Em muitos casos é importante, além do dentista especialista, a presença de profissionais como psicólogos, reumatologistas e neurologistas entre outros.

Entre os 250.000 dentistas no Brasil, só existem em torno de 1.000 especialistas em DTM e Dor Orofacial.

– Até o momento, o tema DTM e Dor Orofacial não faz parte do conteúdo programático obrigatório das instituições de graduação em Odontologia. Às vezes, os pacientes são submetidos a tratamentos desnecessários ou equivocados, já que os dentistas tratam dessa doença cada um da sua maneira. O site www.sbdof.com traz  a lista de 300 membros especialistas em todo o Brasil.

João Padula ressalta que não existe uma terapia específica uniformemente efetiva. No tratamento, o dentista deve orientar a terapia cognitivo-comportamental para que o paciente mantenha os dentes desencostados no seu dia a dia. Existe, inclusive, um aplicativo para celulares chamado Desencoste seus dentes, criado por dentistas brasileiros a fim de ajudar nesse treinamento.

Três dicas sobre a DTM:

 

 

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