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Consumir de maneira sustentável – é possível, e uma reflexão necessária

A produtora cultural Carla Sobrosa criou um evento de oficinas e debate sobre a atitude "Faça você mesmo". Reflexão e oportunidade de aprender

Oficina de cosméticos naturais com Carol Cronemberger

 

O consumo é inerente à organização da sociedade humana. Em seu sentido primeiro, etimológico, consumir significa gastar, extinguir. E mesmo tendo havido, nos últimos anos, estudos que ampliam este conceito para diversas outras áreas, é ainda este sentido que nos interessa comentar aqui.

O intelectual Nestor Canclini fez um inventário das teorias que estudam o consumo, e identificou alguns momentos chave desde o início da produção industrial. Inicialmente, consumir era simplesmente a conclusão deste processo – o que a indústria produzia era disponibilizado e adquirido pelos consumidores. Posteriormente, com a ampliação da concorrência, favorecida pelo barateamento do processo de produção, a publicidade adquire importância crucial, e passa a haver diferenciação entre marcas, preços e grupos de consumidores, que então também passam a se distinguir a partir da aquisição de bens.

No mundo contemporâneo, consumir é muito mais do que adquirir bens e usá-los até o momento de seu descarte, mas uma forma de estar no mundo, uma maneira de se distinguir das outras pessoas ou de se identificar com uma tribo. No entanto, se falamos de consumo de bens tangíveis, ainda vivemos o velho ciclo, criado ainda no início da industrialização: obtenção de matéria-prima, transformação, distribuição, aquisição, uso e descarte.

Mas todos já vivemos a experiência de, ao tentar consertar um eletrodoméstico, por exemplo, ouvir de um técnico que não há peças para aquele modelo ou que o custo seria o mesmo de se adquirir um novo. Isso é a obsolescência planejada pelos produtores. Ainda que o consumidor não pretenda adquirir novos produtos, aqueles já usados se tornam inúteis, porque muitas vezes não podem ser consertados.

Poderíamos viver desta forma indefinidamente – comprando e utilizando bens, por um período cada vez mais curto – se tivéssemos solucionado duas questões: como produzir infinitamente matérias-primas; e como de fato extinguir um objeto após o descarte pelo consumidor. Embora milhares de pessoas, empresas, ONGs e governos estejam trabalhando para isto, já ficou claro que, aparentemente, não será possível fazermos isto com a tecnologia que temos em um médio prazo. O acúmulo de lixo, a baixa reciclagem, a exploração massiva de recursos naturais são elementos da nossa realidade atual.

Foi pensando neste assunto e fazendo conexões que idealizei um evento para reunir pessoas e instituições que vivem a cultura do ‘faça você mesmo’, criando, produzindo e ensinando como fazer os mais diversos bens para o próprio uso e consumo, como vestuário, equipamentos, cosméticos, móveis etc. O Fabrik+ consiste em palestras, exposição e oficinas que buscam inspirar no público o desejo de construir objetos com as próprias mãos, como alternativa à compra ou à contratação de um serviço, exercitando assim sua criatividade e habilidade, além de promover outros benefícios: se você faz algo para si mesmo, desejará que ele dure; entendendo o processo de produção daquele objeto, poderá refletir sobre cada bem que adquirir no futuro.

Saiba mais em www.fabrikmais.com.br

 

Serviço – Fabrik+                                                                                   

Data: Sábado e domingo,2 e 3 de dezembro de 2017, de 11h às 20h

Centro Cultural Oi Futuro  (Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, RJ)

Inscrição: www.sympla.com.br                                                               

Gratuito

 

 

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