< Voltar

Comida também pode viciar!

Muito sal, açúcar, gordura, em pacotes prontinhos... Alimentos superprocessados são muito práticos mas podem criar até uma dependência.

 

Uma necessidade premente. Um desejo irresistível. Uma compulsão. Poderíamos estar falando de um vício como o de cocaína ou do jogo. Mas a comida – ou certos tipos de alimento – também pode ser uma compulsão. Ou você não conhece quem não passa sem refrigerante? Ou chocolate?

O número de brasileiros com sobrepeso já ultrapassa os 115 milhões, mais da metade da população. Em dez anos, entre 2006 e 2016, esse aumento foi de 26%, segundo pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. O problema é complexo e implica inclusive em uma nutrição empobrecida. A nutricionista Laila Freitas, da Clínica da Obesidade, vê o problema se agravando em bases planetárias.

– Essa é uma situação, infelizmente, mundial. Além dos Estados Unidos, que sempre aparecem em primeiro lugar no consumo exagerado de fast food, por exemplo, até países como China e Japão estão nesse ranking – lamenta.

O dia a dia atarefado é desculpa para que muita gente dê preferência a alimentos industrializados – muitas vezes altamente calóricos e pouco nutritivos. Esse comodismo se soma ao hábito de grande estimulação do paladar, pela composição de ingredientes desses produtos, em geral repletos de sal, açúcar e gordura.

– A maioria dos meus pacientes se queixa de falta de tempo para preparar sua própria alimentação, mesmo acreditando que comeriam melhor– prossegue Laila. – Não podemos mentir: sal, açúcar e gordura criam uma explosão de sensações orgânicas que finalizam em bem-estar no primeiro momento. Mas depois vem a culpa e, dependendo da pessoa, até mesmo o vício.

Especialistas na área da nutrição batizaram de “craving alimentar” a busca intensa e desenfreada  de substâncias nos alimentos que podem resultar em alterações fisiológicas e emocionais “ao estimular a produção de hormônios como serotonina e dopamina, neurotransmissores que produzem sensação de relaxamento e bem estar”, descreve a nutricionista. Vício.

– A origem desse tipo de transtorno pode variar em cada indivíduo, mas geralmente tem origem em deficiências vitamínicas decorrentes de uma alimentação monótona e prevalente em alimentos com alto índice glicêmico.

Cinco alimentos são comumente consumidos em situações de compulsão: refrigerante, biscoito recheado, nuggets, sanduíches fast food e batatas fritas. Essas e outras bombas calóricas, quase sempre vazias de nutrientes, consumidas indiscriminadamente, podem trazer, além do excesso de peso e suas consequências diretas, sintomas que muitas vezes não são associados à alimentação displicente.

– Falta de concentração, indisposição, cansaço excessivo, sonolência, dores de cabeça, entre outros sintomas, estão associados com o consumo de alimentos desse tipo – assegura Laila. –  A médio e longo prazo, esses sintomas podem se agravar e evoluir para doenças propriamente ditas como hipertensão, diabetes, dislipidemias, doenças cardiovasculares e a própria obesidade.

Laila de Freitas sugere uma reprogramação alimentar como estratégia.

– Devem ser privilegiados alimentos com baixo índice glicêmico – indica. – É importante também  consumir nutrientes que propiciem a ‘fabricação’ pelo corpo de dopamina e serotonina,  como as vitaminas C, B6, B12 e ácido fólico, além dos minerais zinco, selênio e magnésio, aminoácidos e ácidos graxos ômega-3.

Veja quatro dicas para não cair na armadilha dos alimentos que viciam:

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterEmail to someone