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Advogada mineira lança livro que examina histórias de casamentos

Cláudia Ferreira reuniu casos de diversos relacionamentos e criou um relato que é também uma reflexão sobre o compromisso conjugal

 

Quando um relacionamento amoroso dá sinais de desgaste ou chega a um impasse, que atitudes você toma? Pensando nessa pergunta, a escritora e advogada mineira Cláudia Ferreira desenhou o livro “Casamento, Crise, Resgate e Reencontro”, lançado em novembro pela editora Madras. Mas Claudia não seguiu por caminhos técnicos, muito pelo contrário. Optou pelo formato mais emocional. São relatos criados a partir de histórias reais, verídicas.

– Esse formato nasceu da percepção de que relatar o tema com intimidade iria encorajar casais a mudar o curso de suas histórias, a mudar de vida, a observar mais si mesmo e respeitar-se reciprocamente – diz a autora. – Quis trazer o conflito rotineiro em exemplos reais.

Na introdução do livro, Cláudia expõe: reuniu esses relatos para olhar a própria experiência e maneira diferente. “Descobri que o sofrimento advindo da separação – que traz junto dela tanta dúvida, culpa, perturbação, dor – é comum a todos que passam por esse processo”, diz ela. Por isso, tratou de reunir histórias.

– As mais doídas, as que mais mexeram comigo – diz ela a respeito do critério que aplicou à escolha dos relatos.

Relacionamentos montados em premissas ilusórias, incapacidade de olha as próprias questões… tudo isso se distribui em histórias comentadas por Claudia. Nos 12 anos que levou pesquisando e escrevendo seu livro, chegou a conclusão de que não há muita variação do “roteiro”.

– As questões não variam. São as mesmas em todas ou praticamente todas as relações – garante.

E isso vale para relacionamentos de todos os tipos – heterossexuais ou homossexuais.

– Conflitos, carências, frustrações há em toda e qualquer relação. Eu não entrevistei casais homossexuais mas sempre tive contato, conversas informações e não vejo nada diferente.

A mineira, autora dos livros No Silêncio dos Meus Olhos, lançado em 2008, e Alma Despedida (2014), dá alguns conselhos práticos a quem está passando por um momento de crise no relacionamento.

– Tenha calma, observe bastante, dialogue. Se perceber muita emoção do outro lado, procure entender que, quando se trata de emoções, sentimentos, tudo é mais caloroso. Procure um terapeuta. E talvez um psiquiatra, se for o caso de indicação de medicamento, às vezes necessário para atravessar períodos turbulentos.

Leia aqui um trecho do prefácio:

→ Você sabia que o índice de divórcio cresceu 160% de 2014 para 2016? Que 72% dos pedidos são feitos pelas mulheres, no Brasil – apesar de minha pesquisa revelar que são, na verdade, 90% –, e nos
Estados Unidos, 2/3 dos pedidos são feitos por elas?

→ Você sabia que a maioria dos casais vive mal e não se separa por medo, insegurança, protocolo, e se submetem a uma relação doentia por covardia ou por não saberem, ao certo, se o que vivem é o
tradicional casamento (chato mesmo) ou apenas uma crise?

→ Será que meu relacionamento acabou ou tem recuperação?

→ Preciso mesmo de outra pessoa para ser feliz? Conheço solteiros eternos, que namoram por uma vida, e são pessoas leves, felizes… Amam sua liberdade e têm um vida superinteressante. Enfim, qual
é a receita?

→ Por que tenho de me casar? Será que todos devem cumprir um protocolo social? Por que nós temos de nos relacionar uns com os outros, montar uma família, ter filhos, seguir o modelo social apresentado como projeto pessoal, que soa como uma obrigação imposta pela sociedade? Por
que temos tantos conflitos em nossos relacionamentos? Será que temos ou nós mesmos nos impomos seguir o manual de regras e de acordo com os costumes sociais?

→  Todas essas perguntas e inquietações serão respondidas neste livro, por meio de histórias verídicas que serão relatadas aqui, desde a origem de cada uma até seu desfecho com a separação ou recuperação do relacionamento. O motivo que me levou a casar e por que me separo, nesse momento.

→  Mas, seja qual for sua posição sobre o tema, o casamento é uma escola, porque nos leva ao crescimento, à evolução. É a parte que une, forma vínculos, que nos instiga, provoca, testa. Faz-nos ser mais pacientes e perseverantes. São os relacionamentos que nos dizem a verdade. Aquela verdade sobre nós e a vida, aquela verdade que vive guardada no porão escuro, onde não temos vontade de mexer. Porém, lidar com determinadas situações inquietantes nos leva à lucidez para buscar, em algum lugar, o equilíbrio, o autoconhecimento e a viver mais e melhor.

→  O relacionamento, além de nos ensinar, serve também para nos educar, para nos propor a evolução – o difícil “Conhece-te a ti mesmo” –, para ter filhos, alegria, cachorros, afagos, almoços de
domingo, inspiração, rusgas, ciúmes – não que você não terá nada disso se preferir ficar sozinho, mas o livro trata exatamente da arte de viver bem o casamento. E se não der para alcançar o estado “iluminado” a dois, que a carreira solo seja aceita, digerida, curtida com muito gosto, porque é para isso que estamos aqui. Cabe a cada um/uma pegar o bilhete de entrada no espetáculo da vida, não para
ficar sentado na plateia, mas para adentrar o palco, assumir corajosamente o papel que lhe cabe – não como coadjuvante, mas como ator/atriz principal de suas próprias escolhas.

 

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