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Atleta amador de 73 anos fala da paixão pela corrida: “completo 41 mil km esse ano”

"Já tive vontade de desistir, mas a força para seguir em frente sempre foi maior", diz Affonso Cappai, que criou o Projeto Linha do Equador Virtual

Foto: Roberto Benatti

 

Sou consultor, palestrante, escritor, atleta amador, corredor de ruas. Tenho setenta e três anos e sou apaixonado por corridas.

Comecei a correr em outubro de 1979, aos 35 anos, para combater uma vida de estresse que levava. Trabalhava, estudava, acordava muito cedo, dormia muito tarde e já tinha 3 filhas. Caso eu continuasse daquela forma, meu futuro em qualidade de vida seria um desastre, eu pensava. Foi o que me impulsionou. Fui à luta.

Desde aquela época comecei a criar alguns registros de minhas corridas, como forma de me desafiar e de me motivar. Mas foi só há 10 anos que criei o Projeto LEV – Linha do Equador Virtual, que venho dividindo com outros corredores e praticantes de exercícios físicos nas redes sociais. Olha que já tem um tanto de gente bem animada com essa história. O Projeto tem como meta cumprir, correndo, a distância equivalente a uma volta ao nosso planeta Terra pela Linha do Equador, que no Brasil, corta os Estados do Pará, Amazonas, Roraima e Amapá. São 40.075 quilômetros.

É como se eu tivesse partido de Macapá em outubro de 1979 em direção ao Oceano Pacífico, contornado o mundo e hoje estaria “correndo no Oceano Atlântico”, entre a África e o Brasil, em direção a Macapá. Faltam pouco menos de 2.000 km para completar a meta.

Mantida essa performance, vou completar a “volta ao mundo” no dia 15 de novembro de 2018. E os últimos 21 km, (meia maratona), vou correr em Macapá, em plena Linha do Equador, para fechar com chave de ouro o meu Projeto. Lá vou correr com a minha família, meus netos, amigos e outros corredores. A lista de inscrição para a viagem está aberta e já tem mais de 50 pessoas.

Nessa minha vida de atleta, já corri em todos os Estados e em todas as capitais, além de mais de outras cento e sessenta cidades. Para manter a performance, corro três vezes por semana e faço reforço muscular dois dias. Participo de algumas provas e fico bem classificado na minha faixa etária. No ano de 2016 corri a primeira maratona da minha vida em Porto Alegre. Completei a prova com 5h e 14’. Nos meses de dezembro, sempre corro a Volta Internacional da Pampulha.

No ano passado a minha meta era de 2.350 km, mas corri 2400 km. Apesar da idade as metas vão aumentando ano a ano. 

Não tenho barriga negativa e nem corpo sarado. Não sou atleta de alta performance, mas a minha performance é alta. No meu dia a dia procuro ser uma pessoa completamente normal. Trabalho, viajo, curto a vida de avô e ainda tomo uma cervejinha moderadamente, nos finais de semana.

Sou extremamente motivado. Aliás, eu gero minha própria motivação através de meus expressivos resultados. Sou, também bastante imune às provocações negativas do meu inconsciente. Sei que ficar sob as cobertas às 5 horas da manhã (meu horário de corridas nos dias úteis) é muito mais confortável que sair para correr, ainda escuro, com frio e às vezes chovendo. Mas se eu não for atrás dos meus resultados, não bato as minhas metas. Como fica o meu eleitorado?

Às vezes corro em lugares maravilhosos, como na Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte, na orla do Rio de Janeiro e do Rio Amazonas em Macapá. Em outras vezes, em locais inóspitos e de “poucos amigos”. Nada disso me impede de atingir as metas.

Já corri de cachorros, na chuva, no frio, de dia sob o sol e à noite. Já torci o pé, tropecei e caí. Já tive vontade de desistir, mas a força para seguir em frente sempre foi maior, permitindo que eu venha registrando os quilômetros percorridos na Linha do Equador virtualmente.

Os exercícios físicos continuados contribuem para uma vida com mais qualidade e mais longeva. Para manter essa performance, a disciplina é o meu sobrenome. Cuido bem da alimentação, do que bebo, do meu sono, da mente, das constantes visitas aos médicos e tomo meus preciosos remédios (sim, eu tomo remédios, pois já tenho 73 anos, e alguns ajustes são necessários, mas isso para mim não é um drama. Faz parte). Sou muito consciente de que, para alcançar meu objetivo, preciso de muita garra, determinação, disciplina, força de vontade, resiliência, e sempre contar com a graça de Deus para me livrar das contusões oportunistas.

Tenho dois livros publicados, sendo um sobre corridas – “Paixão por correr” – e estou presente em quase todas as mídias sociais, através do Projeto Linha do Equador Virtual ou do meu próprio nome Afonso Cappai de Castro.

Após completar a minha “volta ao mundo”, outro desafio, tão ousado como esse, será comunicado ao público, lá em Macapá, mas ainda é um grande segredo.

E aí? Mexeu com você?

Se deu em você uma vontadezinha de correr, aproveite a minha história e vá à luta.  Se eu, com 73 anos, posso, você pode também. Mas faça antes uma avaliação médica.

Foto: Roberto Benatti

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