< Voltar

‘Antes, eu queria um corpo bonito. Hoje, quero um corpo saudável’.

Jornalista Karen Nepomuceno conta como enfrenta a endometriose – e como a doença mudou sua perspectiva

karen1a

 

Essa é uma história de dores e de mudanças.

Tenho 25 anos de idade, sou jornalista e trabalho com mídias sociais. Depois de sofrer por três anos de fortes dores, há um ano e oito meses descobri a causa de tudo: sou portadora de endometriose profunda, com acometimento do útero, ovários, ligamentos uterossacros e do trato urinário.

Os sintomas são basicamente inchaços constantes, dores lombares e nas pernas, cólicas e muita dor – no corpo e na alma.

Então você é diagnosticada com uma doença sem cura, considerada incapacitante e de dependência hormonal. Você ganha de brinde tratamentos com doses cavalares de hormônios e uma série de limitações físicas e alimentares. Seu corpo e sua vida passam por mudanças e é uma escolha reclamar ou encarar como um aprendizado.

Hoje, vejo tudo diferente.
Antes, eu queria ter um cabelo bonito; hoje, eu quero conseguir manter todos os fios na minha cabeça.
Antes, eu queria um corpo bonito; hoje, eu quero um corpo saudável.
Antes, eu malhava para chegar à velhice em forma; hoje, eu só quero chegar à velhice.
Antes, eu comia sem me preocupar; hoje, eu penso em cada função celular.
Antes, eu queria chegar logo em casa; hoje, eu quero conseguir levantar sem dor pra começar o dia.
Antes, eu realizava as atividades por realizar; hoje, cada função sem dor é um presente.
Antes, eu queria aproveitar o sol ao máximo; hoje, só a oportunidade de vê-lo nascer me basta.
Antes, eu esperava a felicidade chegar; hoje, aprendi a encontrá-la nos momentos simples.
Antes, eu queria ter tudo aquilo que achava merecer; hoje, eu aprendi a viver com escolhas e limitações.
Antes, eu me preocupava com coisas banais; hoje, minha maior preocupação é se meu corpo responderá bem à próxima etapa do tratamento.
Antes, eu queria tudo; hoje, eu quero só que meus órgãos se mantenham onde Deus os colocou.
Antes, eu pensava em ser mãe; hoje eu sei que nossas vontades não se sobrepõem às do Criador.

A endometriose – ou qualquer doença que exige lutar pela sobrevivência – nos eleva nos degraus da vida e faz tudo mudar. E tudo muda quando você muda a maneira de enxergar e encarar.

E eu decidi não ser apenas uma sobrevivente.

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterEmail to someone