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Anosmia, “cegueira” do olfato: incapacidade de sentir cheiros pode ser sintoma a investigar

Os aromas fazem parte importante da vida, do prazer da nutrição e até da segurança. Se a capacidade de sentir cheiros diminuiu, vale dar uma olhada.

 

Quando a gente sente que alguma coisa está esquisita, aplica o ditado: “isso não está me cheirando bem”. O olfato é um sentido importantíssimo para todos os animais – inclusive para nós, que o usamos relativamente menos que cães, gatos e ursos. Ou assim parece. Mas há quem perca esse sentido – fique “cego” para os cheiros.

A otorrinolaringologista, otoneurologista e Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP Jeanne Oiticica chama a atenção para a perda do olfato – uma situação que pode ser aguda, devida a obstruções à passagem de ar pelo nariz, ou crônica, e muitas vezes progressiva. As causas podem ser as mais diversas – de sinusite ao uso de determinados medicamentos e tratamentos, como a radioterapia; da inalação de produtos tóxicos aos pólipos no nariz; da deficiência vitamínica até doenças degenerativas. O que importa, reforça a otorrino, é detectar a mudança e procurar tratar causa e sintoma.

– Na sinusite, por exemplo, tratamos com antibióticos. Em caso de pólipo nasal, a solução é, em geral,cirúrgica. Há perda de olfato pelo tabagismo, que é um hábito a ser abandonado. E quando a anosmia é causada por sequelas de outras doenças, existem alguns medicamentos do tipo antioxidante que podem ajudar. Portanto, o tratamento é direcionado caso a caso, de acordo com a etiologia – diz ela.

A médica explica ainda que a perda  pode ser parcial – a  hiposmia. E existe também a parosmia: a percepção distorcida de cheiros.

– Aí o que está diferente é a qualidade do odor percebido – ressalta. – Mas, em todos os casos, é sempre necessário procurar ajuda médica, pois quanto mais precoce o tratamento, maiores as chances de recuperação do olfato.

A anosmia ocorre em uma fatia entre 3% a 20% da população. Jeanne detalha essa prevalência:

– Em adultos com menos de 40 anos (3,2%) e em idosos com mais de 60 anos sobe para 22%. É mais frequente em homens (1,5 vez mais frequente do que em mulheres). É cerca de 3 vezes mais frequente em negros do que em caucasianos.

É também fundamental olhar para as consequências da anosmia – ficar sem olfato pode trazer até um quadro depressivo.

– Os portadores de distúrbios no olfato relatam dificuldade para cozinhar, redução do apetite, limitação em manter a higiene pessoal – descreve Jeanne. – Isso pode resultar em insegurança e dificuldade para manter uma vida social saudável. Indivíduos com anosmia são mais propensos a desenvolver sintomas depressivos e isolamento social. Mulheres com anosmia relatam mais frequentemente sintomas depressivos e ansiedade do que homens.

O tratamento se dá através do otorrinolaringologista, que vai iniciar a investigação e encaminhar para testes mais específicos do olfato, caso a caso.

– É um sintoma concreto e precisa ser olhado, até para eliminar a possibilidade de que seja anúncio de doenças mais sérias como Alzheimer e Parkinson – encerra a médica.

Abaixo, três dicas em relação ao seu olfato:

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