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A padronização da imagem na era das redes sociais

O cirurgião plástico Luiz Victor Carneiro alerta para uma busca exagerada de perfeição – “cirurgia não é photoshop”, ele lembra

 

Desde o início do processo da globalização com amplo uso da internet, entre o final do século XX e início do século XXI, os padrões de beleza da sociedade foram se modificando e as diversas influências culturais dos países começaram a se manifestar de forma mais intensa, desenvolvendo um perfil mais internacional. Se olharmos a década de 1990, nomes como Cindy Crawford e Kate Moss já esboçavam o culto a perfis pré-determinados de magreza como sinônimo de beleza e sucesso.

Atualmente, com a velocidade na transmissão das informações e o aparecimento das redes sociais com suas tecnologias cada vez mais detalhistas e avançadas, os padrões de beleza passaram a seguir uma linha de extrema perfeição. Com os smartphones e seus aplicativos, acompanha-se minuto a minuto selfies de mulheres com rostos e corpos “perfeitos”. Uma verdadeira competição de quem posta a imagem mais bonita, criando, ilusoriamente nas pessoas, uma busca inalcançável por narizes bem desenhados, bocas simétricas, peles impecáveis, corpos esculturais. As chamadas digital influencers, que se traduzem como blogueiras, youtubers e instagramers,  ditam tendências que são desejadas e copiadas por milhões de pessoas, seja no Brasil ou exterior, criando uma espécie de ditadura estética, que nem sempre fica proporcional e indicada para o biótipo de todos.  Não se pode tentar ficar “igual” à pessoa que seguimos, já que essa busca só vai trazer insatisfações e transtornos de autoimagem.

Claro que as redes sociais estimulam os cuidados com a beleza e a boa qualidade de vida, o que é muito bom para a autoestima e a saúde como um todo.  No entanto,  é fundamental saber os seus limites e valorizar as características individuais, ter moderação e entender que a diversidade é também uma incrível forma de beleza. Há quem coloque que se tornar mais desejável  e  ter a autoestima elevada são os únicos fatores que levam as pessoas a se deitarem em uma mesa de cirurgia plástica para corrigirem suas “imperfeições”.  Não importa se para isso seja preciso negar seus valores culturais e pessoais. A harmonia de proporções pessoais e étnicas sempre deve ser respeitada para que a beleza seja verdadeira e natural.

O Brasil tem uma forte identidade e reconhecimento internacional na Cirurgia Plástica. Em 2013, chegamos ao primeiro lugar no ranking dos países que mais fazem cirurgias plásticas no mundo. Nos últimos dois anos, porém, esse número entrou em queda muito por conta da crise econômica e, atualmente, ocupamos a segunda posição, atrás apenas dos Estados Unidos. Somos respeitados não somente pelos números, mas pela qualidade, segurança e inovação dos procedimentos cirúrgicos.

Temos técnicas e abordagens próprias e criadas aqui que são difundidas para o mundo inteiro. Basicamente, em outros países, os cirurgiões montam padrões e regras do que classificam como belo e aplicam procedimentos para que a pessoa atinja esse alvo determinado, ou seja: o bonito é o rosto com volume nas maçãs, angulado na mandíbula, com lábios volumosos.  Mas, em muitos casos, a pessoa nunca teve esses traços, nem na juventude. Então, ao invés de ficar mais bonita e rejuvenescer, fica com as feições modificadas. A cirurgia brasileira identifica os traços naturais do paciente e trabalha na estética e rejuvenescimento, mantendo as características próprias de cada um, a harmonia e a individualidade da mulher. Caso contrário, todos ficariam com mesma imagem.

Ter os próprios desejos é totalmente natural, mas escutar o que pode ou não ser feito é muito importante. Cirurgia plástica não é Photoshop  e a anatomia de cada pessoa tem que ser respeitada. É importante, para isso, refletir muito sobre os objetivos com a cirurgia, consultar um cirurgião credenciado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, tirar todas as dúvidas, fazer os exames pré-operatórios e verificar em qual hospital acontecerá o procedimento.  No caso de próteses, vale ainda pesquisar sobre a procedência e confiabilidade da marca. Acima de qualquer mudança estética, está a saúde, o bem-estar físico e emocional, além do respeito aos limites de cada um.  Somente quando se consegue aliar esses três pontos é que toda cirurgia plástica faz pleno sentido.

Luiz Victor Carneiro Jr:

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