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“A mulher pode estar esquecendo sua intuição”, diz o médico Márcio Bontempo

Com 86 livros publicados, ele alerta para as mudanças sociais e suas consequências

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As mulheres estão cada vez mais poderosas na sociedade. Entram em todos os espaços, questionam padrões e mudam comportamentos. Mas esse movimento, que muitos chamam de ‘empoderamento’ (do inglês empowerment), passa também pela questão da saúde e do conhecimento do próprio corpo.

Mas tudo isso vai além do bem estar. É uma questão de controle sobre a sua vida. O médico Márcio Bontempo, clínico geral, homeopata, pós-graduado em nutrologia, especialista em saúde pública, autor de 86 livros decidiu voltar a sua atenção para o público feminino. Dias antes  de seu curso Saúde da Mulher: orientações para uma vida saudável (Grupo Zênite – link aqui) ele conversou sobre a importância desse olhar nos dias de hoje.

Por que a saúde é uma forma de empoderamento?

A sociedade moderna trouxe muitos benefícios para as mulheres, mas com os novos hábitos também vieram novas doenças.  Há uma necessidade de que a mulher esteja munida de informações. É preciso que ela saiba o que pode  fazer para ampliar o seu universo e sua  consciência feminina – de uma forma geral, mas lembrando que o bem estar é um dos fatores mais importantes. Nosso sistema de saúde não é confiável o suficiente. Por exemplo, o chamado sistema preventivo de câncer ginecológico. Esse exame não tem nada de preventivo, não orienta para prevenção da doença. Ele constata. Não diz que os corantes da comida industrializada ou os anabolizantes da carne fazem mal. E, com todos esses riscos, as mulheres têm muito mais chance de adoecer, porque o organismo feminino é mais sensível. Nesse novo paradigma social, a tomada de consciência do corpo é uma forma de ganhar o poder sobre si e seu ambiente.

A mulher esqueceu a própria intuição?

A mulher paga um preço alto pelas exigências da sociedade atual, que inclui abrir mão do lado intuitivo e da percepção mais delicada e sutil. A mulher precisa se encaixar em um modelo que não foi pensado para ela, nem em termos de saúde e nem de equilíbrio emocional. Você pode ser uma excelente gestora, uma profissional bem sucedida e ainda faltará algo.

Isso fica nítido quando vemos o tempo reduzido que uma mãe tem para amamentar seu filho,o que acaba aumentando a chance de câncer de mama. Ou o desespero delas quando a criança está com febre, que as faz ligar para o pediatra às duas da manhã. Muitas mulheres perderam a noção de que as vezes um resfriado não é grave. Isso é perder a intuição.

A maior parte dos seus clientes é formada por mulheres. Por quê?

Quase 80% da minha clientela é feminina. As mulheres são mais cuidadosas com a saúde. E o organismo feminino é muito mais sensível ao estresse, ao álcool, à má alimentação e ao tabagismo. Os homens adoecem menos e envelhecem mais devagar. Num casal de cinquenta anos, se a esposa não tiver pintado o cabelo, usado cremes ou feito alguma plástica, ela pode parecer uma velhinha. Ele, provavelmente, ainda não.

Várias questões de saúde têm maior impacto no corpo feminino. A prisão de ventre, por exemplo, é muito comum no universo feminino – 80% dos casos de são de mulheres. Não existia TPM no passado. E a menopausa  acontecia com 70 anos, não aos 40. Vivemos uma situação de forte impacto antibiológico; como o homem é mais bruto, aguenta melhor. É preciso uma atenção muito maior ao corpo feminino, de onde nasce a vida.

Como a medicina natural pode prevenir as doenças femininas?

Um ser gerado dentro de um organismo doente vai ter problemas genéticos – da hipertensão ou obesidade até doenças mais graves. O que eu defendo é a prevenção. Não podemos ser dependentes da medicina, principalmente da medicina tradicional.

A medicina natural recomenda atividade física, orientação de hábitos e posturas e educação alimentar – alimentos com fibras para ajudar o intestino, plantas medicinais e frutas para curar condições de desequilíbrio.

O que você ensina no seu curso?

No workshop, eu mostro um plano de ação. Conto algo da história do sexo feminino e do seu papel na sociedade – eu acho que tudo está relacionado a esse contexto. Falamos de suplementos, de problemas de saúde dos filhos, de álcool, cigarro, prevenção do envelhecimento, das doenças senis e abordamos a parte psicológica. Falo também de violência contra a mulher, que é sempre importante. A ideia é ser algo bem dinâmico. As pessoas perguntam e vamos desenvolvendo. Mas todos saem das palestras se sentindo melhor. Até mesmo os homens, que vão lá aprender a cuidar de suas companheiras.

Três dicas de Márcio Bontempo para tratar de si com mais carinho:

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